<$BlogRSDUrl$>

JORGE REGO GABINETE DE FOTOGRAFIA (regofoto@netcabo.pt)

sexta-feira, novembro 14, 2003

A Fotografia e o Cinema (4)


Se os trabalhos de Muybridge são analíticos, podemos dizer que os de Jules Marey são sintéticos. O rigor científico de Marey impele-o a procurar a maneira de registar a evolução do movimento com um seccionamento preciso de tempo. O seu método consiste em trabalhar com um único aparelho, em vez de uma bateria, como Muybridge, e sobre uma placa diante da qual gira um disco provido de janelas. É o aparelho cronofotográfico, criado em 1883. Pode assim obter, variando a rotação, dez, vinte e até cem imagens por segundo, a velocidades compreendidas entre 1/100 e 1/1000 de segundo. Constrói também, em 1881, uma espingarda fotográfica que, com uma precisão de 1/120 de segundo, dispara uma rajada de doze imagens por segundo.
Aperfeiçoa igualmente a "cronografia geométrica": os seus fotografados deslocam-se sobre um fundo sombrio, vestidos de negro e trazendo nos membros faixas brancas. Ilumina-os a intervalos regulares (estroboscopia) e regista as suas deslocações e os movimentos resultantes numa mesma placa.
O resultado possui quer carácter científico, porque é um traçado muito gráfico, quer forma artística e poética, em que se inspirará, como veremos mais tarde, um certo número de artistas ligados ao surrealismo e ao futurismo. Entre as numerosas publicações de Marey, é necessário citar O Voo das Aves (1890) e o Movimento (1894).

cronofotografia espingarda fotográfica
Comments:

quarta-feira, novembro 12, 2003

Brinquedos Ópticos


traumatópio
Comments:

terça-feira, novembro 11, 2003

A Fotografia e o Cinema (3)


Estas silhuetas confirmam que há, de facto, um momento em que todas as patas do cavalo abandonam o solo e se juntam sob o ventre, enquanto os pintores até aí sempre tinham representado o cavalo com as quatro patas em extensão, como no famoso quadro Corrida de Cavalos em Epsom (1821), de Géricault. Mas quando pintores como Meissonier copiam para a tela a posição exacta das patas, a sensação de velocidade desaparece. "Os instantâneos petrificam o movimento", dirá Merleau-Ponty.
Este êxito permite a Muybridge empreender uma série de estudos sistemáticos, relatados pelo jornal francês La Nature, em 1878. Marey entra em contacto com ele e ambos têm a oportunidade de se encontrar no decurso de uma viagem de Muybridge a Paris, em 1881. Marey sugere-lhe o emprego de uma "espingarda fotográfica" para estudar o voo das aves.
Financiado pela Universidade de Filadélfia, Muybridge realiza, entre 1884 e 1885, mais de 20 000 placas, que serão objecto de uma selecção de 781 pranchas, editadas sob o título Animal Locomotion, onde são decompostos os movimentos dos desportistas, pessoas a trabalhar, deficientes, contorcionistas. Estas análises mostram as diferentes etapas de um movimento fixadas em 1/1000 de segundo e realizadas num lapso de tempo muito curto (um a três segundos). Algumas destas fotografias são reproduzidas em desenho, em pranchas cilindricas de um zootrópio, para reconstituir o movimento dos passos do cavalo. Em 1881, Muybridge consegue projectar imagens com um zoopraxioscópio ou fenaquistiscópio, inventado em 1833. Este aparelho é constituído por um disco de vidro no qual se dispõem as imagens pela ordem pela qual foram obtidas. Este disco gira diante de um dispositivo de visão, cujas ranhuras giram em sentido contrário, e que projecta as imagens num ecrã.

zootrópio  O fenaquistiscópio de Joseph Plateau O fenaquistiscópio
Comments:

segunda-feira, novembro 10, 2003

Nota à parte


Estive parado este tempo todo pois, o tempo tem fugido ... sou professor e o início do ano lectivo tem dado imenso que fazer. Neste sentido peço desculpa aos meus leitores pela interrupção mas, prometo ser mais assíduo. Aguardo, também, com bastante interesse os vossos comentários.
Comments:

Ora cá estou de novo!!!


A Fotografia e o Cinema (2)



No entanto, temos conhecimento de daguerrótipos e de imagens com colódio onde os passantes e os fiacres se apresentam quase nítidos: as fotografias de Edward Antony (1811-1888), na Broadway, e as de Ferrier e Soulier, em Paris. Estas perspectivas estéreo da década de 1860 causaram perplexidade aos que as viram. Necessário será dizer que se encontravam reunidas as condições de iluminação e de distância relativamente ao assunto. Cerca de 1863, um médico americano, Olivier Holmes, ortopedista dos soldados feridos na Guerra de Secessão, utiliza fotografias de homens a marchar para realizar as suas próteses e melhor compreender o mecanismo da locomoção humana. Como faz precisamente notar, "nenhum artista teria ousado desenhar uma personagem a marchar com tais atitudes". A visão não podia distinguir momentos tão fogazes.
Um puco mais tarde, o astrónomo Jules Jansen concebe um revólver fotográfico para registar o movimento dos planetas e, em 1858, Thomas Skayfe cria o pistolgraph para pequenas placas com clódio.
É também graças ao colódio que Edward Muybridge (1830-1904), célebre paisagista americano, e Étienne-Jules Marey (1830-1904), professor de fisiologia no Colégio de França, se interessam, cerca de 1877, pelos problemas da locomoção animal e humana.
Jules Marey regista com um sistema pneumático o tempo de apoio no solo dos cascos do cavalo, em função dos seus diferentes passos. Muybridge provará pela fotografia os resultados enunciados por Marey, ao realizar, a pedido de Leland Stanford, presidente da Central Pacific Railroad e apaixonado dos cavalos de corrida, as suas primeiras séries acerca dos diferentes passos do cavalo. Depois de muitos dissabores, de 1872 a 1878, Muybridge consegue obter uma sequência em que as diferentes fases de um ciclo de galope são decompostas e registadas no plano temporal, com a ajuda de uma bateria de doze aparelhos, cujos obturadores de guilhotina (permitindo 1/2000 de segundo) são disparados electricamente pela ruptura de fios estendidos à passagem do cavalo.

Muybridge - estudo do movimento Leland Stanford e Edward Muybridge
Comments:

terça-feira, setembro 23, 2003

A Fotografia e o Cinema (1)


Gosto de falar de cinema quando este se refere a "filme" - aqueles fotogramas que em sequencia dão o movimento. Não gosto, desculpem, de vídeo. A "fotografia" tem muito mais a ver com o dito "cinema" que propriamente o vídeo. Mas, gostos não se discutem, por princípio, a não ser que entremos (neste caso) numa conversa muito técnica.

cinema

Mas vamos falar um pouco de fotografia e cinema.
O que caracteriza as fotografias realizadas antes da introdução do gelatino-brometo de prata é que o instantâneo é praticamente impossível, mesmo se, por vezes, encontramos algumas imagens que provam a existência de tentativas nesse sentido. Se concordarmos com a tese defendida por Michel Frizot, na sua Nova História da Fotografia, os fotógrafos não se encontravam de modo nenhum frustrados pela impossibilidade de fixar objectos em movimento ou pessoas a andar. Contentam-se com a exposição longa e admitem que um objecto móvel se apresente imprecioso na fotografia, uma vez que se desloca. A representação nítida de qualquer objecto móvel depende de três factores: a velocidade de obturação, o sentido do deslocamento do objecto móvel e o seu afastamento em relação ao aparelho. Portanto, é esta velocidade relativa que será necessário controlar.
Comments:

segunda-feira, setembro 22, 2003

As máquinas fotográficas (4) - Último Capítulo

A realização da primeira objectiva anastigmática por Hoegh, em 1893, para a firma Goerz, marca a grande etapa da evolução da óptica fotográfica. A correcção do anastigmatismo vai reforçar a nitidez das imagens e daí vão decorrer todas as ópticas modernas, entre as quais a famosa Tessar da Zeiss, em 1925. Hoje em dia, os zooms, devido ao aperfeiçoamento das suas qualidades ópticas, têm tendência a sibstituir as objectivas de foco fixo e a focagem automática (autofocagem) tornou-se sistemática, ou quase, nestas máquinas, em particular nas compactas 24x36, que destronaram as tentativas anteriores, de máquinas de formatos mais ou menos estranhos.

Lentes

O que será que uma máquina fotográfica tem em comum com um microscópio, um projetor de filmes de cinema, uns óculos, uns binóculos, uma luneta, um retroprojetor etc... ???
É claro que você já deve ter a resposta. Todos eles funcionam por causa das lentes que possuem.
Imagine se não existisse nada que fosse capaz de aumentar ou diminuir o tamanho das imagens dos objetos. A fotografia de uma pessoa, por exemplo, teria o mesmo tamanho da pessoa. Imagine o tamanho da máquina fotográfica necessária para isso !!! Por outro lado, não poderíamos ver coisas muito pequenas através do microscópio, pois este não iria nos fornecer uma imagem maior do objeto observado. O microscópio neste caso não serviria para muita coisa.
Mas elas existem, felizmente, e por causa disso podemos ir ao cinema, tirar fotografias, ver televisão, ver melhor (para quem usa óculos), observar coisas pequenas através dos microscópios, ver a lua de pertinho (com uma luneta) etc...

formação de imagem

Não, claro que não vou fazer deste blog um livro de fotografia. Contudo, quando falamos em termos técnicos, por vezes é necessário mostrar imagens. E, isso não leva mal nenhum ao mundo. Afinal estamos a falar de fotografia e, embora possamos fotografar sem lentes, o resultado é muito melhor com elas!

Apesar de ser um dispositivo ao mesmo tempo maravilhoso e misterioso, o olho humano nem sempre funciona de modo perfeito. O defeito mais comum é o astigmatismo, causado geralmente pela curvatura imperfeita da córnea. Devido a esta falta de simetria, por exemplo, os raios luminosos que entram no olho são refratados em maior grau no plano vertical do que no horizontal, ou vice-versa, produzindo-se assim uma distorção da imagem. A focalização inexata, muitas vezes causada pela córnea, é outro defeito comum. Em alguns indivíduos o foco está antes da retina, causando a miopia - incapacidade de ver objetos distantes. Em outros, o ponto focal fica atrás da retina, causando a hipermetropia - incapacidade de ver objetos de perto. A idade também provoca alteração no funcionamento do olho. À medida que o homem envelhece, o cristalino perde grande parte de sua flexibilidade, e os músculos têm cada vez mais dificuldade para engrossá-lo ou achatá-lo. Quando o cristalino não mais consegue focalizar de perto, ocorre a presbiopia.




Até o início do século XIV, as pessoas com deficiência de visão não dispunham de qualquer recurso para solucionar, mesmo parcialmente, esse problema: os óculos eram ainda desconhecidos. Apesar de fundamentalmente simples, a fabricação de lentes exigia a utilização de técnicas até então desconhecidas: além da compreensão das leis da óptica e do funcionamento das lentes, era necessário desenvolver métodos de produção de vidro transparente e de desgaste das lentes na curvatura correta. Isso só pôde ser realizado a partir de 1300.
Até o início do século XIII, a manufatura de vidro transparente de alta qualidade era monopólio dos artesãos de Constantinopla. Os bizantinos haviam descoberto que para fabricar vidros não coloridos era indispensável usar ingredientes químicos puros; entretanto, adicionavam pequenas quantidades de chumbo à composição, para proporcionar uma boa transparência ao produto final.
Esse monopólio foi finalmente rompido quando os venezianos atacaram Constantinopla durante a Quarta Cruzada (1202-1204). Graças a esse empreendimento militar, os venezianos puderam contar com a experiência de numerosos trabalhadores da industria vidreira bizantina. Suas técnicas, até então exclusivas, foram levadas às fabricas de vidro dos territórios venezianos do Mediterrâneo e do norte da Itália. Ali foi possível aliar os conhecimentos de óptica à prática de produzir lentes.
Durante os séculos seguintes, o uso de óculos espalhou-se por toda a Europa.
Os primeiros óculos tinham armações pesadas, feitas de cobre, chumbo ou madeira. Mais tarde introduziu-se o couro, o osso e o chifre; as armações leves começaram a ser fabricadas no século XVII. Quase cem anos depois empregou-se casco de tartaruga, e os óculos assumiram formato semelhante ao atctual.

os seus óculos

E, lógico, se necessita de usar óculos, não fotografe sem eles ou, então, utilize lentes de correcção de diopetrias no visor da sua máquina.

Comments:

domingo, setembro 21, 2003

As màquinas fotográficas (3)

Quanto à célula fotoeléctrica, ou exposímetro, foi precedida por sistemas mais ou menos fiáveis ou extravagantes para determinar o tempo de exposição adequado, em funçõao da luz ambiente e do tipo de superfície sensível usado. Surge em 1930 e encontra-se acopolado a uma máquina fotográfica dez anos mais tarde. Com excepção das descartáveis, nenhuma máquina é hoje fabricada sem uma célula incorporada, o que melhorou consideravelmente os resultados técnicos, mesmo dos neófitos mais incipientes.
Para obter imagens, apesar de uma iluminação fraca, utilizava-se o pó ou a fita de magnésio, de 1860 a 1925, data em que se inventa a ampola flash, bastante menos perigosa e mais prática, porque não produz fumo. Cerca de 1830, Harold Edgerton (1903-1990) inventa o flash electrónico.
Em 1962, o laser permite o aparecimento da holografia. Graças a esta técnica, obtem-se imagens a três dimensões numa única chapa fotográfica e temos a ilusão de ver os objectos como se nos movimentássemos em seu redor.

Fita de magnésio
Fita de magnésio

Comments:

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Site Meter